Diretrizes MASCC/ISOO · Evidência nível A

O problema da integração tardia

A maioria dos pacientes oncológicos chega ao dentista especializado já com complicações instaladas — mucosite grau 3, candidíase oral ou xerostomia severa que compromete a deglutição. Nesse ponto, o manejo ainda é possível, mas o impacto sobre a continuidade do tratamento oncológico já pode ter ocorrido.

Estudos publicados na Supportive Care in Cancer demonstram que pacientes com avaliação odontológica pré-tratamento têm incidência significativamente menor de mucosite grave, menor número de internações por complicações orais e menor taxa de interrupção ou redução de dose da quimioterapia.

A janela ideal: 14 a 21 dias antes do início da quimioterapia ou radioterapia. Nesse período, é possível tratar focos infecciosos, restaurar elementos comprometidos, ajustar próteses e iniciar o protocolo preventivo de laserterapia junto ao primeiro ciclo.

Critérios de encaminhamento — pré-tratamento

Todo paciente que inicia quimioterapia, radioterapia de cabeça e pescoço, ou transplante de células-tronco hematopoiéticas deve ser encaminhado ao dentista oncológico antes do início do tratamento, independentemente da saúde oral aparente.

O encaminhamento pré-tratamento é especialmente prioritário quando há:

  • Focos infecciosos dentários ou periodontais conhecidos
  • Próteses totais ou parciais (risco aumentado de lesões por pressão)
  • Histórico de periodontite ou gengivite ativa
  • Radioterapia prevista em campo que inclua glândulas salivares ou mandíbula
  • Protocolo de alta intensidade (transplante, quimioterapia mieloablativa)
  • Diabetes ou outras comorbidades que comprometam cicatrização

Critérios de encaminhamento — durante o tratamento

O acompanhamento contínuo ao longo dos ciclos é ideal. O encaminhamento de urgência está indicado quando o paciente apresenta:

  • Mucosite grau ≥ 2 — úlceras que comprometem alimentação
  • Candidíase oral — placas brancas aderidas, queilite angular
  • Dor oral intensa — que interfere na deglutição ou uso de medicamentos orais
  • Sangramento gengival espontâneo — especialmente em plaquetopenia
  • Xerostomia — com impacto na fala, deglutição ou sono
  • Osteorradionecrose incipiente — após radioterapia de cabeça e pescoço
  • Trismo progressivo — redução de abertura bucal pós-radioterapia
"A saúde oral não é periférica ao tratamento oncológico. Complicações na boca são uma das principais causas de redução de dose e interrupção da quimioterapia — com impacto direto no prognóstico."

O que esperar do dentista oncológico

O dentista especializado em oncologia não realiza procedimentos rotineiros de forma indiscriminada. Ele conhece a farmacodinâmica dos quimioterápicos, os critérios hematológicos para procedimentos invasivos e as implicações da radioterapia sobre os tecidos orais e ósseos.

Na avaliação inicial, o protocolo inclui:

  • Anamnese oncológica detalhada (tipo de tumor, protocolo previsto, linha de tratamento)
  • Exame clínico e radiográfico completo
  • Risco-benefício de procedimentos pré-tratamento com base no tempo disponível
  • Orientações de higiene oral adaptadas à fase do tratamento
  • Planejamento do protocolo preventivo de laserterapia, se indicado
  • Comunicação com o oncologista responsável quando necessário

Protocolo de encaminhamento — canal direto

Para encaminhamentos diretos, com comunicação entre equipes, o contato é feito pelo canal profissional:

Dra. Ana Celeste Ximenes Oliveira
Cirurgiã-dentista · PhD · Pesquisadora CNPq
PhD pela Universidad de Granada · Odontologia Oncológica e Hospitalar
Fortaleza, CE · Atendimento domiciliar disponível

WhatsApp profissional: (85) 9924-2529

Fase avançada: uma indicação frequentemente esquecida

Pacientes em fase avançada do tratamento oncológico têm necessidades orais específicas — dor, disfagia, candidíase, xerostomia — que comprometem diretamente a qualidade de vida e a capacidade de comunicar-se. O encaminhamento ao dentista oncológico nesse contexto é indicado a qualquer momento, com foco em conforto e dignidade.

O atendimento domiciliar está disponível para pacientes com mobilidade reduzida ou em internação domiciliar.


Referências científicas

  1. Lalla RV et al. MASCC/ISOO clinical practice guidelines for the management of mucositis secondary to cancer therapy. Cancer, 2014. doi:10.1002/cncr.28592
  2. Hong CHL et al. Systematic review of basic oral care for the management of oral mucositis in cancer patients. Supportive Care in Cancer, 2019. doi:10.1007/s00520-019-04848-4
  3. Epstein JB et al. Oral complications of cancer and cancer therapy. CA: A Cancer Journal for Clinicians, 2012. doi:10.3322/caac.21157

Canal direto para médicos e equipes de oncologia

Encaminhamentos, discussão de casos e informações sobre protocolos disponíveis em Fortaleza e domiciliar.

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